Pela estagiária Bárbara Gouvêa
Sob supervisão de Érika dos Anjos | 

A chamada geração Millennial tem promovido dificuldades em meio aos recrutadores no que diz respeito às contratações e manutenções nas organizações, por se desmotivarem facilmente em ambientes corporativos, segundo pesquisa realizado pela Catho com 500 recrutadores, na qual 74% fazem essa afirmação. Eles ainda elencam outros fatores, como pressa em crescer profissionalmente (67%), dificuldades com burocracias e eventuais formalidades corporativas (48%) e necessidade de flexibilidade de turnos e horários (47%).

Para a Adm. Rosangela Arruda, membro da Comissão Especial de Recursos Humanos do CRA-RJ, essa geração busca equilíbrio entre trabalho e lazer, além de valorizar mais os resultados do que as horas trabalhadas.

“Em várias situações essa geração abre mão de um maior salário por uma oferta de mais liberdade para trabalhar ou um emprego que fique mais próximo de sua casa. Um outro ponto a destacar é que ela não se preocupa em se manter por muitos anos numa mesma empresa, vivem em busca de novas oportunidades no mercado. Daí a dificuldade das empresas para reter talentos. Os millennials preferem flexibilidade no horário e maior adaptabilidade do trabalho às suas vidas e não o contrário”, ressalta a Administradora, reforçando que o RH precisa trabalhar com metas tangíveis para estimular o crescimento e não cobrar resultados inalcançáveis, que os desestimulará.

Ainda de acordo com Arruda, o setor de Recursos Humanos precisa estar atento a todo esse movimento para criar uma mudança de cultura e engajamento na organização em todos os níveis, além de atuar de forma estratégica na seleção desses profissionais, contratando pessoas com perfil adequado para cada função evitando gastos com a rotatividade.

“O RH precisa estar preparado para investir em benefícios que combinem com essa nova geração como por exemplo, horários flexíveis e produção remota, o home office, pelo menos em alguns dias do mês. Propor desafios, porque essa geração gosta de ser desafiada e precisa desenvolver capacidades que os façam sentir ‘que fazem a diferença’. Eles se sentirão felizes se perceberem que estão contribuindo com os resultados da empresa com o seu conhecimento”, disse.

Questões a serem resolvidas

O modo de pensamento e prioridades dos millennials não alterou somente no mercado de trabalho, mas também nas questões morais e políticas. De acordo com o artigo “Millennials: uma geração moral?” do Adm. Wagner Siqueira, conselheiro federal pelo Rio de Janeiro e diretor-geral da UCAdm, essa geração mostra pouco interesse político e observa mais a responsabilidade social e o humanismo.

“Os millennials hoje vivem outros tempos. A política não interessa mais a muita gente, menos ainda aos jovens. Quando falam de política é para debochar ou ridicularizá-la. Enquanto abandonam a política, empreendem um retorno à moral, agora rebatizada de direitos humanos, de humanismo, de solidariedade, de responsabilidade social, de proteção ao meio ambiente”, disse o conselheiro, ainda reforçando que eles clamam pelas ações humanitárias e não mais por mudanças como uma revolução.

“Diante dos problemas que são coletivos, sociais, conflituais — logo, políticos — a tendência é dar respostas individuais, morais, para não dizer até sentimentais e emocionais. Claro que todas são perfeitamente respeitáveis […]. Antes se pensava que a boa política era a única moral necessária. Para os jovens de hoje, a moral é que é tudo. E, assim, uma boa moral lhes parece ser a política suficiente e necessária”, salienta Wagner.

Seja analisando o pensamento político, seja se preparando para o mercado de trabalho, os millenials estão mudando diversos aspectos globais. Essa geração precisa de um propósito maior e precisa sentir que a companhia se importa com ela. Aqueles que não se adaptam, devem se capacitar e buscar inovar continuamente para não se tornar antiquado em relação a geração que chega com características intensas, urgentes e inconstantes.